sábado, 9 de outubro de 2010

Glória Pires conta que já experimentou drogas

 
 . Foto: Roberto Valverde/Photo Rio News

Neste momento, Gloria Pires está em Paris fazendo a revisão final da sua biografia, 40 anos de Gloria, da editora Geração Editorial. Prevista para chegar às lojas em março deste ano, a obra -organizada pelo roteirista Eduardo Nassife e pelo escritor Fábio Fabrício Fabretti- mostra facetas da atriz desconhecidas pelo grande público.Um capítulo inteiro é dedicado ao boato de que teria tentado suicídio ao saber de um suposto caso do marido, Orlando Morais, com sua filha mais velha, Cleo Pires, em 1998, o que levou a atriz a processar vários veículos de comunicação. "Gloria diz que se sentiu como se tivesse levado uma pedrada de uma pessoa no meio da multidão. Não sabe de onde veio, mas fez questão de processar quem escreveu aquilo", explica o roteirista Eduardo, lembrando que a atriz se ressentiu pela filha. "A Cleo era apontada onde quer que fosse, chegava em casa abalada, chorando", completa ele, afirmando que esse foi o motivo da mudança da família para Los Angeles.
No livro, ela também fala sobre a primeira vez que experimentou drogas. "Era aquela coisa de adolescente, Gloria nunca foi usuária, não gostava de nada que tirasse a lucidez", adianta Eduardo. Histórias sobre a vida profissional também estão lá, como, por exemplo, a de que, aos 7 anos, bem antes de estourar em Dancin' Days (1978), de Gilberto Braga, Gloria ficou traumatizada. "Ela recebeu a notícia de que não tinha sido aprovada por Daniel Filho porque não era bonita e levou esse trauma até ser selecionada entre 200 meninas, pelo mesmo Daniel, para Dancin' Days, revela Eduardo, que trabalha há 12 anos com a atriz, organizando todo o material profissional produzido por ela.
O sucesso repentino com Marisa, na trama, fez a jovem, então com 15 anos, descobrir o mundo da fama. "Ela foi muito transgressora. Passou a frequentar festas mesmo sendo menor de idade, andava com pessoas mais velhas. Diz que, enquanto o Daniel Filho bebia demais e o Lauro Corona se drogava, ela era a única que, no final da festa, estava lúcida e cuidava de todo mundo, daí o apelido, dado por Lauro, de Vovó Glorinha", relata Fabrício.
O livro tem prefácio de Gilberto Braga e Aguinaldo Silva, autores que escreveram para Gloria a inesquecível personagem golpista Maria de Fátima, de Vale Tudo. Para Eduardo, sua trajetória é exemplar. "O sucesso dela não se deu por escândalos ou tentativas de tesouradas em babá", brinca. E Fabrício completa: "Ela não precisou mostrar o peito ou sair sem calcinha. Recebeu propostas da Playboy, mas nunca posou". Se você ainda não é fã da atriz, basta ler o livro para virar membro do clube. Uma Gloria!
Quem é Glória, segundo biografia
Tem mania de limpeza
Dispensa maquiador e faz sua própria maquiagem
Adora fazer vilãs e volta à TV na pele da malvada Norma, na próxima novela de Giberto Braga
Não pode ser amamentada pela mãe, Elza Pires, por isso faz campanha pelo aleitamento materno
Nasceu no bairro da Gloria, mas morou até os 5 anos de idade na Ladeira dos Tabajaras

A história de Gloria Maria Claudia Pires de Morais se confunde com a história da dramaturgia brasileira. Mais até: a história da dramaturgia brasileira não seria a mesma sem Gloria Pires, e vice-versa. Nascida e criada dentro do ambiente profissional ela estreou na televisão aos quatro anos , o nome de Gloria Pires é presença invariável em novelas, minisséries e filmes campeões de audiência. Dancin Days, Cabocla, Vale Tudo, Mulheres de Areia, Belíssima, O Tempo e o Vento, Memorial de Maria Moura, O Quatrilho e Se Eu Fosse Você são exemplos irrefutáveis da capacidade camaleônica da atriz de dar vida e alma a personagens memoráveis que compõem um currículo de 42 trabalhos em 46 anos de vida. Natural, portanto, que recebesse precocemente uma homenagem literária à toda essa extensa e bem-sucedida biografia.
De Eduardo Nassife e Fábio Fabrício Fabretti, o livro 40 Anos de Gloria, publicação da Geração Editorial, conta as quatro décadas da carreira da artista. Escrito em ordem cronológica, possui 319 páginas divididas em 25 capítulos e traz relatos pessoais e curiosidades, como os convites feitos pela revista Playboy, todos recusados, além de um álbum de fotografias históricas e depoimentos de familiares e amigos.
:: GALERIA - Os 40 anos de carreira de Gloria Pires em imagens
O lançamento da obra (em Porto Alegre está marcado para a quinta-feira, 15 de julho) coincide com cenas de um novo capítulo na vida da atriz.
Após uma temporada de dois anos vivendo em Paris com o marido, o músico Orlando Morais, e os filhos Cleo, 27 (que ficou na ponte-aérea em função dos compromissos profissionais), Antonia, 16, Ana, 10, e Bento, 5, Gloria está de volta ao Brasil. Será uma das estrelas da próxima novela de Gilberto Braga.
– Fiz minha mudança com mala, cuia e papagaio. Uma trabalheira louca – contou ela a Donna.
Não foi a primeira nem a última saída de cena. De tempos em tempos, Gloria Pires sente necessidade de se retirar para respirar ar puro e se reinventar. Foi assim quando mudou-se para Los Angeles, em 1998, e quando refugiou-se por três anos em Goiânia, em 2002, para viver apenas da luz, da paz e da terra da fazenda da família.
– Preciso desse tempo – confessa. – Gosto de planejar, sempre que possível, fazer um intervalo entre as novelas. Viver em contato com outra cultura ajuda muito a não tornar a rotina uma inimiga da qualidade de vida. Nesse período em Paris, constatei que os prazeres cotidianos renovaram minhas energias.
Não há nada de afetação nas palavras de Gloria Pires. Tampouco em sua vida ou em sua aparência. Gloria é daqueles casos cada vez mais raros de estrela que não faz a menor questão de desfrutar da pompa que o título oferece. Sua satisfação não é externa, mas interna.
Ela gosta de estar bem por dentro e, para tanto, vive em uma incessante busca pelo autoconhecimento. Há anos, persegue a capacidade de saber administrar melhor o tempo com o único objetivo de aprender a dirigir a vida sem angústias, principalmente quando o tema é cuidar do bem-estar do marido e dos filhos.
– A questão do tempo sempre foi uma coisa complicada para mim. Essa utilização do tempo, que é tão curto, tão espremido – diz.
Grávida de Bento, inseriu a Chakraterapia à rotina para alinhar os chakras e desfrutar de um melhor funcionamento da energia corporal, mental e espiritual. Ultimamente, procura estar atenta à respiração - "a primeira a ser afetada quando a vida começa a ficar apertada de tempo" –, além de praticar alongamento e Tai Chi Chuan. Carne vermelha não come há 18 anos, quando aproximou-se da doutrina do líder espiritual Mahatma Gandhi. É dele também um dos ensinamentos que põe em prática diariamente:
– Aprendi que tenho muito a agradecer – reflete.
– Minha mãe é uma pessoa muito grata, e foi com ela que eu aprendi o verdadeiro significado da palavra "gratidão", a agradecer sempre, antes de pedir – conta a filha, Antonia.
De menina rejeitada à estrela nacional
O livro 40 Anos de Gloria é um projeto antigo, acalentado pelo roteirista Eduardo Nassife. Gloria temia a publicação de uma biografia por considerar ainda cedo.
– Poderia soar pretensioso – observa ela.
Concordou quando Eduardo sugeriu que fosse um livro comemorativo: menos uma biografia, mais uma homenagem.

Glória Pires

Filha da produtora e empresária Elza Pires e do ator Antônio Carlos Pires, tem uma irmã chamada Linda Pires. Na década de 1970, namorou o filho de Chico Anysio, Anizinho (Nizo Neto). Já foi casada com o ator e cantor Fábio Jr, pai de sua filha, Cléo Pires, que hoje também é atriz. Atualmente, é casada com o músico Orlando Morais, com quem tem três filhos, Antonia (1992), Ana (2000) e Bento (2004).[editar] Carreira
Estreou na televisão com apenas cinco anos de idade, em 1969, na telenovela A Pequena Órfã, da TV Excelsior. Depois, em 1972 trabalhou ao lado do pai e do humorista Chico Anysio em Chico City, ainda na época da TV em preto e branco.
Durante a década de 1970, participou de diversos programas da linha de shows da TV Globo, como Satiricom, Faça Humor, Não Faça Guerra e Chico em Quadrinhos. Participou ainda de mais duas novelas, ambas assinadas por Janete Clair, O Semideus (1973) e Duas Vidas (1976).
Considerada a "Dama das Novelas", fez o seu primeiro papel marcante na história das telenovelas em Dancin' Days (1978), de Gilberto Braga. Seu ótimo desempenho na trama, rendeu-lhe o papel de protagonista da novela Cabocla (1979), de Benedito Ruy Barbosa.
Na década de 1980, integrou o elenco de diversas produções, entre elas: Água Viva e Louco Amor, de Gilberto Braga, As Três Marias, de Wilson Rocha, Partido Alto, de Aguinaldo Silva e Glória Perez, Direito de Amar, de Walther Negrão, e da minissérie O Tempo e o Vento, de Doc Comparato, com a colaboração de Regina Braga. Importante ressaltar que, a atriz queria tanto interpretar a personagem Ana da Terra que pediu ao diretor Daniel Filho para desempenhar o papel.
Outra contribuição importante na TV foi em Vale Tudo, que é considerada por muitos como a melhor novela das 21h do país, por mostrar o Brasil de forma tão realista. Na trama, destacou-se como a terrível vilã Maria de Fátima e levou o título também da filha mais ingrata da televisão.
Na década de 1990, acumulou participações em: Mico Preto, de Marcílio Moraes, Leonor Bassères e Euclydes Marinho, O Dono do Mundo, de Gilberto Braga, O Rei do Gado, de Benedito Ruy Barbosa, Anjo Mau, remake de Maria Adelaide Amaral, Suave Veneno, de Aguinaldo Silva, e na minissérie Memorial de Maria Moura, de Jorge Furtado e Carlos Gerbase; durante as gravações da última a atriz chegou a fraturar o cóccix.
Memorável a atuação da atriz como às gêmeas Ruth e Raquel, de Mulheres de Areia (1993), que lhe rendeu o prêmio Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA) como melhor atriz do ano de 1993, além do Troféu Imprensa de Melhor Atriz de 1993. Apesar do apelo sexual das personagens, a atriz negou todos os convites da revista Playboy para posar nua.
Após três anos afastada das novelas, voltou à televisão em 2002, em Desejos de Mulher, de Euclydes Marinho, retomando parcerias antigas como a atriz Regina Duarte e o diretor Dênis Carvalho, com quem trabalhara em Vale Tudo.
Em 2005, protagonizou Belíssima, de Silvio de Abreu, e em 2007 esteve mais uma vez numa trama do autor Gilberto Braga, Paraíso Tropical. Nesse mesmo ano, recebeu o Prêmio Mário Lago, na homenagem dos Melhores do Ano, do programa Domingão do Faustão, da Rede Globo de Televisão.
Em toda sua carreira atuou somente em uma peça, no teatro, um espetáculo infantil. No cinema, estreou em 1981, no filme Índia, a Filha do Sol, de Fábio Barreto. Participou também de Memórias do Cárcere (1984), de Nelson Pereira dos Santos, Besame Mucho (1987), de Francisco Ramalho, e Jorge, um Brasileiro (1988), de Paulo Thiago.
Em 1995, atuou em O Quatrilho, de Fábio Barreto. Por seu desempenho, recebeu três prêmios: dos Festivais de Havana e de Viña del Mar e da APCA. Em 1999, fez uma participação no filme Pequeno Dicionário Amoroso, de Sandra Werneck. Dois anos depois, integrou o elenco de A Partilha, de Daniel Filho, e em 2006, ao lado de Tony Ramos, e novamente dirigida por Daniel Filho, esteve na comédia romântica Se Eu Fosse Você, um dos maiores sucessos de bilheteria do cinema brasileiro dos últimos anos.
A partir de 2008, decidiu dedicar-se ainda mais à família e junto com Antônia, Ana e Bento, além do marido, o músico Orlando Morais, foi morar em Paris. Também em 2008 filmou a continuação de Se Eu Fosse Você (Se Eu Fosse Você 2), e atuou no longa É Proibido Fumar, de Anna Muylaert. No inicio de 2009 atuou nas filmagens do longa metragem sobre a vida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Após dois anos de uma “vida normal” na França, Glória Pires está de volta ao Brasil. Aos 46 anos, a atriz aproveita o retorno para comemorar seus 40 anos de carreira com o lançamento da biografia “40 Anos de Glória”, escrita por Eduardo Nassife e Fábio Fabretti, e um novo papel nas novelas.
“Eu não sei em que pé está, o que eu tenho de concreto é que o Gilberto (Braga) me chamou pra fazer a novela dele. É um personagem que amei, a Norma. É um grande desafio e começamos em setembro”, revela em entrevista ao "Fantástico".
Veja o site do Fantástico
A história de Glória na TV brasileira começou quando ela tinha apenas quatro anos, pelas mãos do pai, o ator Antônio Carlos Pires, famoso pelo personagem Jovelino Barbacena, de “A escolinha do professor Raimundo”. Aos sete, ela viveu a primeira rejeição, ao não ser aprovada por Daniel Filho para o elenco da novela “O primeiro amor” (1971).
A rejeição quase a fez desistir de atuar. Mas, em 1978, novamente seu pai a levou para outro teste com o diretor, que dessa vez a aprovou para aquele que seria um de seus papéis mais marcantes. Aos 14 anos, ela era a rebelde Marisa, de “Dancin’ days”.
“Eu falei: ‘pai, nem continua, nem fala, não quero nem ouvir’. E ele: ‘não, o que que custa, você vai lá, faz o teste, não vai perder nada, não tem nada a perder’. Isso foi o que me deu a ficha, que caiu: eu realmente não tinha nada a perder. Eu já tinha passado por um momento terrível, se aquilo se repetisse eu já conhecia esse depois. Então por que não? E fui. Foi uma experiência muito importante pra mim, que estava na adolescência, uma fase muito difícil, de transição. Me deu uma injeção de autoestima, foi incrível pra mim”, revela.
Com o passar dos anos, a atriz realizou outros trabalhos importantes em folhetins como “Cabocla”, “Água viva” e “As três Marias”. Aos 19, fez o primeiro filme, “Índia”, rodado no Araguaia. Na época, estava casada com Fábio Jr. e grávida de Cleo, sua primeira filha.
“Eu era muito jovem, não tinha muita experiência. Mas sempre tive muita disposição, gana, assim, pra vida, sabe? Eu sou uma pessoa que não tem essa historia de tempo ruim. Tem que pegar o touro à unha? Então vamos lá!”, ri. “Ter tido a Cléo tão novinha me transformou numa mulher. Eu amadureci.”
As novelas se sucediam e Glória continuava interpretando mulheres fortes na TV, como a inescrupulosa Maria de Fátima, de “Vale tudo” (1988). Em 1993, já casada com o músico Orlando Morais e novamente mãe, ela viveu as marcantes gêmeas de personalidades opostas Ruth e Raquel, de “Mulheres de areia”.
“O personagem praticamente entrava em 80% da novela, era uma ou outra ou as duas juntas”, relembra Glória, que cita a dificuldade de conciliar trabalho com a vida pessoal: sua mãe tinha acabado de morrer. “Foi uma loucura. Só o trabalho mesmo, a ideia de que você tem a responsabilidade pelo seu trabalho para tirar você de uma dor como essa, né?”,